O criador da Plural, Nilton Oliveira, explica como a loja contribui para o microempreendedorismo local
Por Bianca Torres, Mariana Sales e Maria Eduarda Vasconcelos
Nilton Oliveira, comentou como surgiu a ideia de inserir uma loja que usa o modelo de marketing colaborativo em Caruaru, as vantagens e dificuldades de se ter uma loja colaborativa, como esse modelo de negócio contribui para o microempreendedorismo local e como é o procedimento para os microempreendedores participarem da loja. A Plural é a primeira loja colaborativa de Caruaru. Existe desde maio de 2017 e atualmente se encontra na Avenida Rio Branco, local estratégico no sentido de vendas. A loja funciona com o modelo de marketing colaborativo e tem aproximadamente 60 marcas participando do negócio. Segundo Nilton, esse número continua crescendo. “A cada dia novas marcas entram. A loja sempre está se renovando”.
CA: O que trouxe a ideia de montar um loja colaborativa?
NO: A ideia da Plural surgiu durante minha graduação em Administração pela UFPE. Na verdade, ela foi meu Trabalho de Conclusão de Curso. Foi a ocasião que tive a oportunidade de fazer um plano de negócios da loja, estudar o modelo, pesquisar sobre ele e sobre o crescimento dele no Brasil. O resultado do trabalho foi muito legal e positivo, tanto dos professores, dos analistas e do pessoal que participou da pesquisa. E a gente decidiu seguir em frente e transformar o projeto acadêmico em um projeto de vida mesmo. Percebemos, pela pesquisa, que pelo porte e o caráter empreendedor, além de sua história, Caruaru poderia comportar um negócio desse. Temos vários artistas e empreendedores locais que carecem dessa solução que oferecemos, de um espaço físico e barato para expor suas peças, já que muitas vezes eles dependem de feirinhas itinerantes que acontecem uma vez ou outra e isso atrapalha um pouco a visibilidade da marca. Nisso, fomos, encaramos e montamos a Plural.
CA: Qual a contribuição que o marketing colaborativo traz para o microempreendimento em Caruaru e região?
NO: O aumento da visibilidade de uma maneira mais rápida que não teria se ela estivesse sozinha. Geralmente, o caminho de um microempreendedor é abrir uma página no Facebook e no Instagram. A partir daí começa a divulgar para os clientes, familiares e amigos. Demora, a não ser que a pessoa tenha muita grana para investir. Demora para aumentar o número de seguidores. Estar em um espaço como esse (Plural), que tem marcas de vários níveis de maturidade, marcas que estão à dois anos no mercado, outras que tem uma clientela mais consolidada, outras que estão começando agora, você estando nesse espaço acaba se beneficiando dessa clientela das outras marcas para aumentar sua visibilidade de forma mais rápida.

CA: Qual foi a maior dificuldade de apresentar a primeira loja colaborativa?
NO: A maior dificuldade, talvez, foi justamente pelo caráter inovador do negócio. Por mais que, de uns tempos para cá, já existam lojas colaborativas pelo país, ainda não é um negócio consolidado, é um modelo de negócio que ainda não tem uma regulamentação jurídica. Então, a maior dificuldade é a informação. No início, são muitas descobertas. As únicas informações (sobre a loja) que temos na internet ainda são de entrevistas, de outras pessoas que abriram lojas. Não tem uma informação sistemática que os outros segmentos têm, tipo a confecção em Pernambuco, você tem relatórios, você tem outras informações. E lojas colaborativas não. Eu acho que a maior dificuldade foi ser a pioneira loja na região, não ter informações específicas do modelo.
CA: Quais são as vantagens de participar de um negócio desse?
NO: O marketing colaborativo talvez seja o coração do negócio, porque você está dividindo o lugar com outras marcas. Você, divulgando a loja, pode fazer com que a clientela da sua marca possa se tornar a clientela de outra marca e vice-versa. Todo mundo divulgando e colaborando o mesmo espaço traz uma clientela muito diversa pra loja, que acaba não só conhecendo o produto que ela viu. Uma marca ajuda a outra a ganhar clientela.
CA: Vocês tem algum critério para participar da Plural?
NO: Na verdade, não. Temos algumas limitações. Não trabalhamos com eletrônicos, por exemplo. Você não pode alugar uma caixa (um espaço) para vender carregador de celular. O nosso foco é apoiar o pequeno empreendedor local mesmo, o pessoal que está diretamente ligado com o processo produtivo e a comercialização do produto. Nisso, temos de tudo. Tem artesanato, vestuário, acessórios, papelaria, cosméticos artesanais, quadrinhos, decoração… Enfim, de tudo um pouco.
CA: Como é o processo para o microempreendedor participar da loja?
NO: Tentamos ao máximo evitar burocracias, porque é um dos principais empecilhos do empreendedorismo hoje no Brasil. Trabalhamos com contratos de períodos diferentes, trimestrais, semestrais ou anuais. O microempreendedor escolhe qual o período que ele deseja ficar na loja inicialmente, renovando o contrato mais tarde, se for do interesse dele. Esse contrato confirma a permanência durante esse tempo da marca na loja. O investimento é fixo, cada espaço da loja tem um custo fixo que varia conforme o tamanho do estande de venda e o tempo do contrato. Quanto mais tempo na loja, mais barata é a mensalidade.
