Pela terceira vez consecutiva, Fernanda marca presença no evento da Super, e conta sua trajetória no mundo da tatuagem e a importância dos flashdays para a microempresa .
POR DANIELE LEITE
Fernanda Duvida, de 22 anos, cursava Design na UFPE de Caruaru em 2014, quando começou a ter os primeiros contatos com as técnicas de tatuagem. Após um ano imersa nesse mundo, ela decide transformar isso em sua profissão. Hoje, ela gerencia a sua própria empresa, a Comtattoo. Pela terceira vez consecutiva, ela vem participando do flashday da Semana Universitária da Universidade de Pernambuco (Super). O Super foi realizado entre os dias 23 e 24 de outubro, no Armazém da Criatividade, localizado no Polo Comercial de Caruaru. Para proporcionar uma interação entre a sociedade e o conhecimento acadêmico de forma gratuita, é montado um pequeno estúdio onde participantes interessados têm a oportunidade de fazer uma tatuagem e conhecer o trabalho de Fernanda. Acompanhe a entrevista concedida à repórter Daniele Leite.
Como começou a sua paixão pela tatuagem?
Começou muito naturalmente. Eu tinha uma amiga que já tatuava, ela era iniciante. Como eu sempre tive muita afinidade com design gráfico, pensei: por que não? Primeiramente, achei que eu não iria gostar, mas fui pegando o jeito e, quando percebi, já estava sendo tatuadora. Foi algo muito natural.
O curso de design te ajudou de alguma forma na sua formação profissional hoje?
Sim, principalmente na parte de como apresentar o meu trabalho. Como eu sou justamente da parte de design gráfico, então ficava muito fácil dentro do dia a dia no estúdio eu formular e projetar as artes para cada cliente. Fazer alterações com os programas de design gráfico. Além disso, de como apresentar esse meu trabalho já feito nas redes sociais, de como fazer peças gráficas e de como trabalhar a foto da tatuagem. Tem toda essa questão que são mínimos detalhes, mas que, tendo o conhecimento de design que eu tenho, foi me ajudando aos pouquinhos e elevando meu trabalho.

Como você começou a sua carreira como tatuadora?
Eu comecei a tatuar em 2014, mas ainda era mais uma curiosidade. Comecei tatuando alguns amigos. Quando percebi, estava imersa e gostando daquilo. Após um ano, aquilo estava dando frutos pra mim e as pessoas estavam me conhecendo como se eu já fosse tatuadora.
A sua empresa antes se chamava Colorindo o Mundo agora se chama Comtatto. Como essa mudança se reflete na sua estética profissional?
Antes, o Colorindo o Mundo tinha mais uma ideia de que eu iria seguir arte autoral na estética de aquarela. Mas, como qualquer coisa que a gente faça, a gente vai evoluindo e se moldando a outras estéticas e outros objetivos. Eu passei a gostar de uma estética mais minimalista, uma coisa que não desse de cara logo se era colorido ou preto e cinza. Eu queria algo que fosse mais neutro, mas que fosse simples e direto. Então, primeiro comecei pelo nome, eu abreviei o nome Colorindo o Mundo ficando só “Com” e adicionei o “tattoo”. Hoje, junto com essa mudança visual, você consegue compreender que meus trabalhos estão sendo mais voltados para uma coisa mais minimalista. Mas isso também não quer dizer que eu não vá fazer projetos mais elaborados com mais detalhes. Enfim, estou tentando me centrar.
Sobre o evento, como é que você conheceu o flashday da Super?
Geralmente me fazem o convite quando o evento tem um estilo de empreendedorismo local, de design e de comunicação. O flashday é um formato que pode acontecer fora e dentro do estúdio de tatuagem. E desses eventos externos, eu já passei pela Super três vezes, já passei pelo Florescer Má Fama e vários outros.
Você já participou de quantos flashdays?
Foram ao total 10 flashdays que eu já participei fora do meu estúdio. Mas venho planejando agora fazer um no meu estúdio, porque já estou com um espaço maior que consegue receber mais pessoas para poderem me observar tatuando. O flashday é justamente isso, reunir a galera para interagir e fazer tattoo, fugindo da rotina normal do estúdio.

Como é participar desses eventos todos?
É bem legal porque a gente conhece mais pessoas, trocamos ideias e mais gente conhece o meu trabalho. É aquela coisa de marketing, quanto mais você é visto mais você é lembrado. Então acho que, com três eventos, a galera começou a observar mais que eu fazia esse formato de estúdio móvel. Começaram a curtir mais a ideia que vem crescendo sempre bem aos poucos.
Qual a importância para sua microempresa de participar desses eventos?
Sempre é uma experiência a cada evento. Mas o que mais favorece a Comtatto é na questão ser conhecida por um número cada vez maior de pessoas do que a questão lucrativa. Porque geralmente o movimento nesses eventos é um pouco mais fraco do que normalmente é no estúdio. Muitas pessoas não têm vontade de passar pela experiência de ser tatuado fora de estúdio comum. Geralmente, preferem agendar para fazer no estúdio.
Ao longo da sua trajetória nesses eventos você buscou inovar ou mudou alguma abordagem sua para atrair mais público?
A cada evento sempre muda muito, como por exemplo, o jeito de expor os meus materiais e a forma de como elaboro os prints das minhas artes. Antes, a gente usava banner, que é uma coisa mais tradicional. Hoje, pela primeira vez, estou usando o projetor para passar a vinheta do estúdio com algumas informações. O último Flashday que eu fiz foi ano passado, ou seja, já faz praticamente um ano que eu não faço. Se você comparar uma foto de como estava o estande ano passado e hoje, têm algumas coisas que você já percebe que mudaram. Eu sempre tento modificar se for ficar mais prático, leve e objetivo.
