Juliéte Carvalho: “As estrelas me fazem companhia”

A vida da escritora sempre foi rodeada por livros, músicas, poesias e estrelas  

POR ELOÍSA AVANI

A escritora e professora coroense Juliéte do Carmo Carvalho começou sua trajetória no campo das letras desde cedo. Escreveu o folhetim “São José da Coroa Grande, sua vida e sua história” em 1983 e sua poesia mais prestigiada, “Estrela do meu céu”, em 1999. Ela também compôs o hino da cidade em 2003. Com um acervo de mais de 300 criações, entre poesias, composições e pensamentos, a escritora faz questão de falar sobre a beleza de sua terra em quase todas as obras. Nascida em 1956, na cidade de Água Preta, no Estado de Pernambuco, chegou a São José da Coroa Grande com apenas 23 dias de nascida, local onde reside até os dias atuais. Apaixonada por estrelas, Juliéte fez de sua casa o santuário delas. Podemos observá-las a cada centímetro do seu lar. “As estrelas deixam os meus dias iluminados, me fazem companhia e me inspiram” afirma a escritora em entrevista concedida à repórter Eloisa Avani.

Como surgiu o seu amor pela escrita?

Começou quando eu era criança. Quando eu tinha oito anos, uma professora me desafiou a escrever uma paródia da música “A praça”, do Ronnie Von, para o dia das mães. A partir daí, começou o meu interesse por escrever contos, músicas e pensamentos. Na adolescência, eu passava o dia inteiro na biblioteca municipal, lendo Agatha Christie, Vinícius de Moraes, Monteiro Lobato…Gostava dos mais variados estilos de literatura, mas sempre amei escrever poesias.

 Quem foi a pessoa que mais lhe incentivou nessa caminhada de escritora?

Foi o meu avô. Ele gostava de escrever versos, apesar dos temas devassos, ele escrevia de um jeito que eu gostava, porque eram versos rimados. A minha preferência por escrever poesias rimadas se deve ao meu avô.

 Qual é a sua maior inspiração?

Tudo o que vem de Deus, especialmente o mar. Para mim, o mar é a criação mais representativa do criador. Há muitas pessoas que nunca chegaram a ver a praia, a grandiosidade do mar. Não consigo me imaginar longe da praia, do meu nascer do sol. Todos os dias, quando eu acordo de manhã para observar o mar, é como se fosse a primeira vez. A praia de São José da Coroa Grande é a minha maior inspiração.

 Qual é o seu processo de escrita?

As frases, poesias ou músicas inteiras, aparecem do nada. Mas nem sempre ando com um papel e uma caneta para registrar. Por isso, acabo perdendo muitas dessas criações. Por exemplo, um dia eu estava esperando um bispo visitante chegar na missa, ele estava demorando muito e, enquanto eu esperava, escrevi uma música. A música fluiu naturalmente na minha cabeça. Por sorte, tinha papel e caneta na hora para escrever.

 As estrelas também estão muito presentes nas suas poesias, músicas e principalmente na sua casa. De onde veio esse fascínio por estrelas?

Lembro que quando eu era criança, enquanto os professores davam aula, eu ficava desenhando várias estrelas no caderno. Com o passar do tempo, essas estrelas começaram a fazer parte do meu mundo. Gosto das estrelas por emitirem brilho e por tudo ficar mais bonito onde elas estão. São as minhas companheiras nessa casa. Até o nome da minha cadelinha é estrela por ela ter trazido luz para minha vida.

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No interior da casa de Juliéte. Fotos: Eloisa Avani

 A senhora foi a compositora do hino de São José da Coroa Grande, como se deu esse processo?

Eu nunca imaginei que iria escrevê-lo. Na verdade, tinha vontade que a cidade tivesse um hino, mas não sonhava em ser a autora dele. Fui convidada por um maestro para escrever a letra e ele fazer a melodia, para apresentar aos representantes da cidade em um projeto elaborado pela Câmara dos Vereadores da cidade. Concorremos com mais quatro pessoas e fomos os escolhidos. Eu compus a letra de maneira simples. Não quis colocar palavras difíceis para que todos pudessem aprender com facilidade. Mesmo assim, a maioria dos moradores ainda não sabem cantá-lo.

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Foto: Arquivo Pessoal

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