Adriana Sales fala sobre a importância da valorização da cultura popular local

A cantora e professora Adriana Sales falou sobre como a música e a arte têm papel importante em sua vida

POR MARIANA SALES

A cantora e professora Adriana Sales discutiu sobre a importância da música e da arte em sua vida, da necessidade da valorização da cultura local, o reconhecimento e visibilidade dos artistas e grupos da Região e a importância de conhecer a própria história. Adriana, ao lado de Nerisvaldo Alves, coordena o Maracatu Nação do Barro, uma oficina do Centro de Educação Popular Assunção (CEPA), que tem como objetivo fortalecer e divulgar a cultura local, procurando desenvolver uma reafirmação étnica das crianças e jovens do projeto.. Além disso, Adriana, junto à equipe do CEPA, contribuiu para a realização da releitura da peça teatral, O Baile do Menino Deus, que conta a história do nascimento de Jesus no contexto da cultura nordestina.

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Maracatu Nação do Barro Foto: Arquivo do CEPA

Para você, o que é arte?

Para mim, dentro da minha vivência, eu vejo que é um caminho para sensibilizar e humanizar as pessoas e para trabalhar no processo de formação das pessoas. Para mim, o centro da arte é a capacidade de humanização das pessoas. Existem várias linguagens artísticas, então, é um meio de expressão e de comunicação dos seres diversos, da criança ao adulto. É um meio por onde a cultura se revela, por exemplo, na música. Na música brasileira, a gente tem diversas possibilidades de estilos musicais. De acordo com a cultura onde estamos inseridos, a gente vê a possibilidade de explosão artística naquele determinado lugar. É a capacidade de identificação de um povo, é um meio de despertar o que há de mais bonito no ser humano.

O que você acha que é mais importante na música?

É a capacidade de tocar e de sensibilizar as pessoas. A música tem vários poderes, na verdade, tem o poder de despertar o que há de melhor e de pior no ser humano. Vou dar o exemplo do funk ostentação, para mim, é música sim, porque tem ritmo, tem harmonia, tem melodia, que é a estrutura do define o conceito de música. No entanto, determinados estilos, ao invés de humanizar eles regridem o ser humano. Mas, para mim, nas minhas práticas, é um caminho que humaniza e sensibiliza, que desperta a beleza dentro das pessoas.

Como cantora, o que você acha que é necessário para ter o reconhecimento local?

O fazer artístico, o exercício cotidiano, buscar formação na área do canto e a crença no que você faz são questões necessárias.

 Quais são os meios que você utiliza para a divulgação dos projetos em que você atua?

 As redes sociais, como o Facebook e o WhatsApp, que são um caminho bom para a comunicação. Em alguns momentos, as mídias como televisão e rádio, também utilizamos.

 O que você acha do fato de que os artistas que vêm de fora terem mais reconhecimento do que os artistas locais?

Acredito que os artistas locais deveriam ser mais valorizados em sua arte, afinal, são eles que alimentam e mantêm viva a cultura. Há um incômodo em saber que artistas de fora são mais reconhecidos, quando estes representam uma cultura de massa que aliena e reduz a arte à mercadoria.

 Como as políticas públicas contribuem para o desenvolvimento da cultura popular local?

 Na verdade, a gente, enquanto movimento social, termina fazendo a tarefa das políticas públicas, que tem a função de incentivar, difundir e divulgar a cultura, de contribuir para os jovens tenham acesso à música boa e à arte nas suas diversas dimensões. No entanto, dentro da realidade em que estamos, do povo brasileiro, especialmente, povo nordestino, sentimos uma ausência muito grande das políticas públicas. Os movimentos sociais e as organizações não governamentais terminam assumindo esse papel, que na verdade deveria ser do poder público e que deveria ter uma grande parcela de contribuição, para incentivar, articular grupos, divulgar e  multiplicar as diversas culturas que temos em volta da gente. Tem um papel muito significativo, porém ainda vivemos muito distantes delas.

 O Maracatu Nação é típico na Região Metropolitana de Recife. Sendo coordenadora do Maracatu Nação do Barro, como você faz para que essa cultura tenha reconhecimento em Caruaru?

Um princípio fundamental na estruturação de um grupo cultural é não limitar esse grupo apenas a execução do instrumento ou do canto. O grupo precisa conhecer a história que está sendo construída por eles. Nesse caso, saber, pesquisar, conhecer a origem do maracatu é de extrema importância para acreditar no que está fazendo. A partir da crença no que está sendo construído, as apresentações surgem, com elas o reconhecimento local.

É muito importante que arte e cultura sejam apresentadas às crianças e jovens. Como o seu trabalho proporciona esse encontro?

 Através da vivência e da prática.  Por exemplo, a vivência em que estou que é no CEPA e Alto do Moura, a partir do toque do tambor, do movimento do corpo com a dança, do canto, a gente percebe que há um entrega, um envolvimento, uma participação ativa desses jovens e crianças.

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Apresentação do Maracatu Nação do Barro na abertura dos XVII Jogos Escolares Municipais de Caruaru. Foto: Arquivo do CEPA.

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