A pesquisadora Izabela Domingues diz que a quarta revolução industrial já está acontecendo e a forma de viver, trabalhar e se comunicar sofrerá mudanças importantes.
POR MILENA MORAES
Por que é importante entender a quarta revolução industrial?
Porque a quarta revolução industrial está transformando a produção, a circulação e o consumo de bens e serviços com o surgimento de novas tecnologias e produtos. A transformação digital dos mais diversos setores da economia está fazendo surgir empresas e profissões que, há pouco tempo, sequer imaginávamos que existiriam um dia e obsoletando tanto empresas quanto profissionais, que podem ser substituídos por novas tecnologias produtivas em breve.
Na sua opinião, o Brasil está preparado para a quarta revolução industrial?
De acordo com o Relatório de Competitividade Digital, divulgado em 19 de junho de 2018 pelo IMD (escola de negócios suíça) e que, no Brasil, é realizado em parceria com o Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da Fundação Dom Cabral, o Brasil ocupa a 57ª posição entre os 63 países analisados no relatório de Competitividade Digital. O País caiu duas posições em relação ao ano passado e o estudo mostra que o País precisa elevar seu padrão educacional e, ao mesmo tempo, tornar-se uma nação digital competitiva.
Com o cenário da indústria 4.0, o que acontecerá com os setores tradicionais de empregos?
O que tende a acontecer é setores tradicionais perderem competitividade, sendo suplantados por empresas nativas digitais, que fazem usos de novas tecnologias para aumentar a eficiência e oferecer mais e melhores vantagens aos seus públicos. Com isso, os profissionais que desejam atuar neste novo cenário também precisam se manter atualizados, atentos às transformações em curso. Não podemos parar de estudar.
A quarta revolução industrial estimula o individualismo?
Bem, o individualismo é parte constitutiva da sociedade de consumo na qual estamos inseridos. O fato é que, hoje, com os novos dispositivos digitais, conectados à internet, não dependemos mais de nos relacionarmos com outras pessoas como antes. Os chamados assistentes pessoais, por exemplo, são capazes de atenderem ao nosso chamado de voz, trazendo-nos informações preciosas para o nosso dia a dia, algo inimaginável há tempos atrás. Se antes precisávamos de uma pessoa ao nosso lado para descobrir uma informação, hoje podemos prescindir dela e obtermos até informações mais detalhadas e precisas.
