“Não foi nada do que eu pensei, não teve prêmio”

Miss Altinho 2017, Josilene Souza, fala sobre repercussão da sua vitória 

POR CÉSAR MARTINS

Como surgiu a proposta do evento? Houve algum contrato?

Eu estava no meu último ano na Escola de Referencia em Ensino Médio Professor Francisco Joaquim de Barros Correia, quando uma estudante me falou desse evento e disse que eu tinha grande chance de ganhar. Ela disse que teria prêmios e que eu seria conhecida na cidade. Segundo ela, eu tinha porte de miss, então me entregou um papel para que eu assinasse caso quisesse participar, mas, pelo que li, não era contrato.

 Você sempre quis ser Miss?

Eu sempre quis ser modelo, não miss. Eu pensei que o evento pudesse ser uma porta de entrada, mas não foi bem assim porque percebi que não iria ser nada mais além do concurso. Quando eu me inscrevi, pensei que seria famosa em Altinho, iria para outras cidades e as pessoas iriam me chamar para agências de modelo, mas não, eu ganhei, voltei para casa e minha vida seguiu como era antes, desempregada e morando com mãe e irmão. Nada mudou.

Como foi a experiência?

Frustrante. Não foi nada que eu pensei, não teve prêmio. Quando conversei com a coordenadora, Geyse Lima, ela disse que não poderia entregar o prêmio porque usaria para arcar com os gastos do evento. Depois disso, o Altinho na Web me procurou.

Como o Altinho na Web te ajudou?

Eles me procuraram querendo fazer uma reportagem porque tinham muita coisa boa a oferecer e me ajudaram com um plano dentário, óculos, compras.

Como seguiu sua vida depois que o Altinho na Web entrevistou você e divulgou o caso no Facebook?

Eu acho que foi de mal a pior, porque, os currículos que eu colocava na cidade não eram respondidos e não sei se foi por preconceito ou porque os donos de estabelecimentos daqui conheciam os responsáveis pelo evento e ficaram do lado deles. Acho que tiveram uma impressão negativa.

Considerando a vitória da Miss Altinho 2016, branca, loira e de olhos azuis, você acha que foi vítima de racismo?

Eu não sei responder isso. As pessoas que ficaram a meu favor disseram que foi preconceito mas eu não tenho posicionamento quanto à isso.

Você foi a única participante negra?

Teve outra candidata negra, mas ela foi eliminada em uma apresentação que fizemos para que conhecessem as candidatas. Mais tarde no WhatsApp, o pessoal da produção disse a ela que tinha sido eliminada.

Como foi a sua relação com as outras candidatas?

Elas não falam comigo. Nunca foram próximas a mim. Quando precisávamos ensaiar ou fazer atividades em grupo, a gente mantinha uma imagem de que todo mundo se dava bem, mas eu via que aquilo não era verdadeiro. Cada uma foi para um lado. Quando a gente se vê na rua, não nos falamos, elas viram a cara. Não acho que seja algo competitivo, acredito que não gostem de mim mesmo. Eu sempre fui muito subestimada. Não tinha chance nenhuma de ganhar. Quando eu chegava nos ensaios, elas já estavam conversando em grupinhos e eu sempre fiquei na minha porque para elas, eu não tinha chances de ganhar.

Hoje em dia, quais são suas expectativas no ramo de Miss/Modelo? Pretende seguir carreira?

Baixas, pois não estou mais correndo atrás, mas pretendia seguir carreira e participar do Miss Regional. Não fui porque me desvinculei do concurso quando me recusei a tirar mais fotos e colocaram a candidata que venceu na segunda posição para ir no meu lugar. A coordenadora também me procurou para pegar a coroa de volta, mas eu não devolvi.

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