Da militância para a Câmara dos Deputados

Túlio Gadêlha foi eleito como deputado federal em Pernambuco com mais de 75 mil votos. 

POR BIANCA TORRES

Túlio Gadêlha Sales de Melo, 30 anos, natural de Recife, é formado em direito na Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP). Sem ter parente dentro da política, o recifense se aliou à Juventude Socialista (JS) quando tinha 22 anos e seguiu sua vida militante lutando por pautas como o combate à hereditariedade familiar na política, fim do assédio no ambiente de trabalho, igualdade social, intolerância religiosa, conscientização política, entre outros assuntos. Filiado ao Partido Democrático Trabalhista desde 2007, conseguiu o tão sonhado cargo de deputado federal com 75.642 votos, sendo um dos 20 deputados mais votados no Estado. Sua fama, que já existia antes, pode-se dizer que aumentou com o início de namoro com a jornalista Fátima Bernardes, de 55 anos.  Na entrevista abaixo, Túlio conversa sobre seus projetos e suas resoluções dentro do próximo governo.

Confira:

Qual a importância do movimento “Nós Acreditamos” que você participa?

O “Nós Acreditamos” é um movimento que foi criado no intuito de trazer pessoas comuns para dentro das esferas de discussão política. A gente discute a criação de uma democracia mais participativa, uma vez que a democracia representativa está em crise. A maioria da nossa população não conhece de fato quem são nossos representantes, e a saída dessa crise é por meio da democracia participativa com a participação das pessoas.

Agora que a população pernambucana o elegeu deputado, você pretende tornar esse movimento mais visível? 

Sem dúvida. Nós só conseguimos mudar alguma coisa na sociedade através da política. O movimento é um movimento suprapartidário, não pertence a nenhum partido, inclusive temos várias pessoas de vários partidos dentro dele. A intenção é fazer com que as pessoas reflitam sobre o sistema político e que possam escolher os partidos que mais dialogam com sua visão de mundo.

Você tem um histórico de militância extenso. Aos 22 anos, integrou a Juventude Socialista além de vários movimentos de militância ao longo de sua carreira. Na sua opinião, qual a importância de ter começado logo cedo, ainda jovem, a se envolver com a política?

A maioria dos jovens até sentem vergonha de se aliar a um partido ou participar de uma reunião e eles estão cobertos de razão. Os partidos hoje funcionam só para os interesses daqueles que já estão no poder. Ninguém quer entrar em um grupo, um partido político, para levantar bandeira. Todo mundo quer ser protagonista da sua história. Hoje, eu tive essa atuação dentro do PDT não pelo o que eu vi no PDT daqui de Pernambuco. O PDT infelizmente no Estado ainda pertence a uma oligarquia familiar que está há 25 anos no comando do partido e das decisões. Não é um partido democrático, isso tenho falado abertamente nos espaços porque a gente precisa democratizar os partidos políticos. Eu me filiei ao PDT por conta da história dos que passaram pelo PDT, de um Darcy Ribeiro, de um Jango, de um Brizola. Essas pessoas que deram grandes contribuições para a sociedade, para o país que temos hoje e que me inspiraram a se filiar ao PDT. 

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Túlio Gadêlha e a jornalista Fátima Bernardes, sua atual namorada, logo após seu voto em Recife. Foto: Reprodução / Instagram

Sabemos que o partido do candidato a Presidência Jair Bolsonaro, o PSL, está ocupando 52 lugares dentro da câmara. Com as pesquisas eleitorais, também sabemos que o candidato continua crescendo nas intenções de votos. Como você acredita que o cenário político irá ficar após a possível vitória do candidato do PSL?

Boa parte dos deputados que foram eleitos pelo PSL são deputados que foram eleitos nessa onda, nessa candidatura majoritária de Bolsonaro, pessoas que estão revoltadas com a política e querem mudança, mas que não avaliaram que tipo de mudança querem de fato. Muitos dos eleitores não se preocupam com os candidatos a deputados. Essa é uma realidade do nosso país. Muitas pessoas foram à urna para votar no número 17 e colocaram 17 em todos os outros números. Por isso, teve expressiva bancada de deputados federais. Elegemos deputados sem compromisso social, sem histórico de luta em defesa de causas. Elegemos deputados que estão aparelhados de alguma forma com estruturas financeiras dentro desse campo, através de empresários, etc. A gente precisa tentar unir uma frente democrática no Congresso para impedir que essas pautas reacionárias sejam votadas e passem do Congresso. Por isso, a gente disputou esse mandato e agora vai exercer com essa coerência.

No primeiro turno, foi apurado uma grande quantidade de votos brancos e nulos além de muita abstenção. Um dos motivos foi não concordarem nem com o candidato Bolsonaro e nem concordarem com o partido do candidato Fernando Haddad, o PT, além de criticarem bastante a esquerda. Você, sendo militante de esquerda, pretende mudar esse ponto de vista? Como?

Isso é muito ruim, porque não temos uma esquerda. O PT sempre acreditou que a gente (PDT) fosse apoiá-los por gravitação, pelo fato de terem, hoje no País, a figura central no campo de esquerda, figura central no mundo todo. Depois da morte de Mandela, Lula é a principal figura da esquerda no mundo. Eles acreditam que a gente vá declarar apoio ao projeto deles, mas eu acho que o PDT se mostra diferente nessa construção política. Nós temos duras críticas à forma como o PT vem construindo e aparelhando o estado ao longo desses anos, as suas políticas eleitorais. Nós somos uma alternativa diferente dessa que está aí. Infelizmente, o nível de politização das nossas pessoas ainda não é tão alto para compreender isso. Acreditamos que, em médio prazo, nós vamos fazer compreender e que possamos ter de fato um candidato à Presidência com compromissos, com história, coerência, autonomia e com legitimidade para governar nosso país. 

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Túlio Gadêlha discute suas propostas e agradece os votos dos eleitores caruaruenses que o elegeram Deputado Federal em Pernambuco . Foto: Bianca Torres

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