Blogueira literária do interior de Pernambuco conta um pouco sobre o objetivo de levar o blog para fora do estado na próxima Bienal Internacional do Livro
POR ROSEANE CAVALCANTI
Clarissa Assis teve a ideia de iniciar um blog pessoal aos seus 16 anos. O Próxima Primavera retratava tudo que a interessava em posts: música, séries e até livros. Agora aos seus 19 anos, a jovem blogueira e empreendedora expande ainda mais a resenha literária em seu blog. Com um público de mais de 50 mil leitores, Assis administra a jornada tripla de universitária, dona de um blog e de uma empresa de bottoms, a Geeky Bottoms. Clarissa me recebeu em seu apartamento para conversarmos sobre o papel do jovem enquanto leitor, como se dão suas parcerias literárias e planos para as futuras bienais internacionais do livro de Pernambuco e do Rio de Janeiro.
Como surgiu a ideia de criar o blog?
Quando eu comecei o blog, não era literário. Isso é importante. Era um blog, blog. Eu falava de séries, música e livros, porque eu gostava de livros. Só que depois de um tempo eu pensei “posso fazer resenha”, porque leio muito. Comecei a ler e fazer várias resenhas e o blog se tornou literário. Eu nunca pensei que ele fosse crescer, porque blogs literários não crescem. Acabou o tempo de blogs.
O blog sempre se chamou Próxima Primavera?
Sempre, mas você pergunta “por que esse nome?”.
Por quê?
A junção de duas palavras. Eu fiquei pensando em sensações, porque lembrei de seasons [estações]. E depois pensei primavera, uma “sensação”. É uma estação legal, que não existe no Brasil, mas acho legal. São flores que brotam. Pensei em próxima e primavera e pronto. Foi isso. Se me perguntarem por um sentido filosófico, eu digo que algo vai acontecer na próxima primavera, e, se não acontecer, sempre haverá a próxima. Sempre haverá outra primavera.
O Próxima Primavera tem parceria com uma série de editoras. Como são essas parcerias e quais são as editoras?
Eu tenho parceria com a Companhia das Letras, Record, Leya e Hyria. Eu recebo todo mês alguns livros que peço. Eles mandam os lançamentos por e-mail e eu tenho o direito de escolher um, às vezes dois livros dependendo da editora. Existe uma diferença entre ganhar e receber. É um trabalho que eu tenho. Eu leio e faço resenha. Mas eu recebo, não preciso comprar para poder fazer [resenha]. Eu estou abastecendo [o blog] sem precisar pagar.
Como você consegue essas parcerias literárias?
Todo ano eles abrem parcerias no começo ou fim do ano. Os blogs mesmos se inscrevem e respondem a perguntas como “o que você espera dessa parceria?”. Eu sempre respondo a mesma coisa. Falo que quero incentivar a leitura.
Como surgiu sua paixão por livros e pela leitura?
É uma pergunta difícil. Não sei. Eu sempre li, nunca cheguei ao ponto de parar e perceber que gostava de livros. Foi natural para mim. Na verdade, antes de ler livros eu lia fanfics [histórias escritas por fãs]. O primeiro livro que li foi Crepúsculo. Foi quando eu descobri que havia livros assim, com romance. Fiquei com vontade de ler mais. E comprei os livros na única livraria de Limoeiro, a PROEC.
Depois de entrar na universidade ficou mais trabalhosa a atualização do blog?
Eu atualizei mais. Durante o ensino médio foi mais difícil, porque era ENEM e eu sentia uma pressão horrível.
Como é lidar com a jornada tripla de ser universitária, dona de um blog e de uma empresa de bottoms?
Às vezes aperta, mas como você é dono do seu próprio negócio, na sua própria casa, você faz o seu próprio horário. Para mim, não é mais um desafio.
Você participou da XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco com o blog Próxima Primavera. Como foi a experiência? Você pretende participar novamente?
Fui como imprensa. E pretendo ir novamente próximo ano para a de Pernambuco e para a Bienal do Rio de Janeiro, que nunca participei. Na época, ainda tinha poucos seguidores. Fui porque não existe muita gente de Pernambuco que fale de livros. Eu deixo o crachá ali [no mural do quarto] para me lembrar de não desistir.
Quais as fases para produzir o blog que você mais ama e mais odeia?
O que eu mais odeio é quando as pessoas me perguntam se eu só faço ler. Isso é muito mal educado. Eles não me perguntam como eu consigo administrar minha vida e cuidar da leitura. Só mandam mensagens “tu só faz ler”. Acho isso horrível. A parte que eu mais gosto é quando as pessoas chegam para mim e dizem que elas leram algum livro por causa do blog e gostaram muito da minha indicação.
Você disse que o objetivo do blog é fazer as pessoas lerem. Você sempre teve isso em mente desde o início?
Sim, eu fazia as resenhas porque gostaria que as pessoas comprassem os livros. Foi o objetivo inicial.
Qual a faixa etária de pessoas que acessam o Próxima Primavera?
De 18 a 24 anos.
É uma fase bem jovem. Atualmente muito se fala sobre o incentivo a leitura entre os jovens, você acredita que jovens realmente não leem?
Eu acho que as redes sociais influenciam a perda de interesse pela leitura desse público. Antes das redes sociais, o jovem lia ou assistia televisão. Hoje, a gente tem milhões de opções do que fazer por meio do smartphone. Só quem lê é quem tem interesse por leitura.
