Escritor Ale Santos escreve sobre narrativas africanas e desperta atenção de seguidores no Twitter

Sucesso nas redes sociais, com suas histórias centradas na cultura negra, Ale Santos tem vários talentos e o poder de trazer esclarecimento sobre a negritude aos seus seguidores.

POR LARISSA JULIANA

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Foto: Arquivo pessoal.

O pesquisador, publicitário, consultor de gamificação para startups e responsável pelo evento IT Forum e IT Forum +, maior evento de tecnologia da América Latina, Ale Santos, 31 anos, de Guaratinguetá (SP), encontrou no Twitter o lugar ideal para escrever suas histórias de narrativas africanas. O que também abriu portas para propostas de editoras para a publicação de livros e para se tornar colunista na Vice, escritor no Muito Interessante, no The Intercept Brasil e na Super Interessante. As histórias contadas em threads (sequência de tweets conectados para contar uma história) permitem que conhecimentos sobre a origem do racismo e histórias que não foram, mas deveriam ter sido contadas nas escolas, possam alcançar milhares de pessoas em segundos.

Como você começou a escrever as threads sobre histórias de narrativas voltadas à cultura africana?

Escrevo profissionalmente há uns seis anos. Sempre estudei e li muito. Por ser negro, acabava orientando todos meus estudos para a cultura afro. Eu sempre contava histórias para os meus amigos no WhatsApp e, certo dia, não consegui contar para ninguém. Então, sentei no sofá da minha casa e decidi escrever uma história no Twitter. Logo em seguida, houve uma imensa interação, chegando a cerca de 100 RTs na primeira história. Foi fantástico! Todas essas histórias já estavam na minha cabeça. E eu não sabia o poder disso tudo, o poder dessa rede social.

Qual foi a sua thread que mais bombou?

Foi a minha terceira thread, que foi a do Leopoldo, do genocídio no Congo, que teve 7 mil RTs. Acho que só o tweet principal, que é o primeiro, passou de mais de 1 milhão de visualizações. Foi uma coisa absurda e foi aí que começou a minha história.

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Tweet de Ale Santos sobre o massacre no Congo — Foto: Captura de tela no Twitter.

Qual foi a importância das redes sociais no começo do seu trabalho?

As redes sociais não são apenas importantes, considero o Twitter o meu grande palco. Sem ele, eu não teria sido construído para as pessoas. As pessoas não me conheceriam, não saberiam quem é o Ale Santos. Ele é a minha porta de entrada para o mundo da relevância e da influência digital. É o lugar que me apresento para as pessoas. É onde as pessoas acabaram me encontrando. Eu participei de documentários. Escrevi na revista Super Interessante, na Vice, e na Intercept Brasil, graças ao Twitter. As redes sociais foram essenciais.

Você era apaixonado por história e pela escrita desde criança?

Sempre fui, cheguei a me considerar nerd, porém não mais porque acho um conceito muito eurocêntrico. No entanto, fui um desses ávidos leitores curiosos. Eu adorava a mitologia grega e a mitologia nórdica. Depois, passei a identificar e a entender a mitologia afro. Desde criança, gostava de entender coisas diferentes, coisas que são fora do mundo tradicional e as respostas, para isso, estão nos livros, nos documentários e nos filmes históricos.

Como começou a rentabilidade das suas histórias criativas?

Por trabalhar no mercado de negócios para empresas com Storytelling, surgiu já há 6 anos. Hoje, eu escrevo para revistas e sites. Tenho uma coluna quinzenal na Vice. Recebo por cada artigo que escrevo. Consequentemente, é uma nova configuração, uma nova forma de ganhar dinheiro com o entretenimento. Antes, o meu trabalho era feito para empresas. Agora, é feito para a audiência geral, para o grande público.

Qual a sensação de ser chamado para publicar um livro?

Eu tenho vários contos publicados e sempre quis publicar um livro autoral todo meu, mas acabei me desanimando porque a rentabilidade não é boa. Eu tinha vários amigos autores com vários livros publicados, no entanto, não são famosos e não conseguem ganhar muito dinheiro com isso. Ainda por cima, as editoras estão ganhando menos nesse momento, visto que o governo está comprando menos livros. Mas depois que o meu Twitter bombou, algumas editoras me procuraram. E já mandei meu original para editora Panda Books, que é a editora que irá publicar um livro meu até o ano que vem.

Como você enxerga a importância do seu trabalho na atual conjuntura política?

Eu acho importante que todo negro, toda pessoa que seja considerada diferente, minoria ou que não tenha uma representação muito grande na sociedade, seja protagonista de sua própria história. Portanto, não posso me considerar diferente de todas as outras pessoas que estão lutando, nem mais nem menos importante. Eu não diria importância do meu trabalho, mas sim, importância do trabalho de pessoas como eu. Nesse cenário, é extremamente essencial para que a gente possa criar mais consciência. Luther king dizia que a primeira luta começa ao dar consciência. Minha ideia é alcançar as pessoas que são parecidas comigo ou que são negros de pele mais retinta, que ainda não se reconhecem como negros, que ainda não entendem, porque devem lutar. As escolas públicas e privadas suprimem muito a narrativa negra.

O que as escolas ocultam da narrativa negra?

A história do que é ser negro, o porquê de os negros serem diferentes neste País. Portanto, vejo por meio dos comentários que muitas pessoas fazem nos meus posts no Twitter, que eu tenho um papel de esclarecimento, de ajudar essas pessoas a entender a sua posição na sociedade. Aquelas pessoas que ainda não conhecem as histórias que conto e que não conhecem parte do racismo, consigo massificar por meio do Twitter essas narrativas. Consigo fazer com que elas entendam algumas questões que deveriam ter sido ensinadas nas escolas.

 

 

 

 

 

 

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