Chegando aos seus 74 anos, Antonio Lopes conta como começou sua trajetória como guia turístico e destaca sua paixão pelas estradas do Brasil
POR ANA CLARA TABARANÃ
Há 26 anos, Antonio Lopes Tabaranã, de 73 anos, conhecido como Tio Quincas, trabalha como guia turístico fazendo excursões para cidades do Nordeste. Mora em Icoaraci, bairro localizado na cidade de Belém, no estado do Pará, leva seus conhecidos, familiares e outros interessados para um passeio mais familiar desde 1992. “Para mim, o mais importante não é o dinheiro, é a satisfação das pessoas em conhecer novos lugares, os laços que criei na viagem e os grandes amigos que permaneceram”, destaca Antonio Lopes.

Como começou a excursão?
Eu trabalhava no Colégio Nossa Senhora de Lourdes e as irmãs gostavam muito de viajar. Nós começamos a fazer passeios com os funcionários e alunos do colégio. Passaram-se, mais ou menos, cinco anos a gente fazendo esses passeios. A renda era, exclusivamente, para a viagem. Não era com fins lucrativos, era só para fazer o passeio para levar os funcionários e os alunos. Depois, com um determinado tempo, nós começamos a fazer com funcionários do colégio, alunos, pais de alunos e mais algumas pessoas convidadas. Em 1999, já estava há sete anos nessa situação, foi quando as irmãs chegaram para mim e falaram: “Seu Quincas, nós não vamos mais fazer as viagens. Se o senhor quiser continuar, pode fazer sozinho e convide as pessoas que você acha que deve convidar”. Nós formamos um grupo, conhecido por Grupo Tio Quincas, e procuramos quem queria passear. Eram em torno de 50 pessoas que nos pagavam uma mensalidade por mês. Esse valor era investido no transporte e nas hospedagens. Depois, quando nós chegávamos de volta, nós víamos se tinha sobrado algum dinheiro e retornávamos para cada um do grupo.
Depois que a irmã falou que não ia mais continuar e você teve que se tornar independente na excursão, você falou “nós” em alguns momentos. Quem mais começou a participar?
Nós formávamos um grupo. Éramos eu, as professoras Hiolisa e Saraiva e mais algumas pessoas que depois foram saindo. Após 3 anos, eu fiquei sozinho. A partir de 2002, eu fiquei só com os passeios. Botei o nome Grupo Tio Quincas, como é conhecido até hoje, no Nordeste e nos hotéis.
Para onde vocês iam quando tudo começou?
Nós íamos para o Nordeste, sempre para o Nordeste.
Mas vocês iam para uma cidade ou mais?
Geralmente, a gente escolhe quatro cidades dependendo dos dias determinados do passeio. Se são 13 dias, 12 dias a gente escolhe três ou quatro cidades e locais também onde tenham passeios ecológicos, que se dá mais para o Nordeste. As cidades são mais próximas umas das outras e é mais viável para que a gente possa fazer mais passeios.
Como era que as pessoas conheciam seu trabalho?
Meu trabalho, até hoje, é muito conhecido através da informação de pessoas, o famoso comercial boca a boca. Então, um amigo vai na viagem. Ele gosta do passeio e convida o outro amigo. Esse amigo leva família e o outro já vai com a família também. Nosso passeio é mais família mesmo.
Para alguns já virou uma tradição viajar com você. Qual relação que você começou a ter com os passageiros?
Têm pessoas que viajam comigo há 18 anos, há 20 anos. Têm pessoas também que vão pela primeira vez. Às vezes, a pessoa não me conhece, mas é indicado por um amigo que já viaja. A grande maioria é com pessoas que já viajam há anos, mas têm pessoas novatas. Em um passeio de 53 passageiros, vão uns 15 pela primeira vez. Há uma dinâmica de apresentação no ônibus, onde todos dizem seu nome e alguns comentam quantas vezes já viajaram. Por meio da apresentação, as pessoas se conhecem dentro do ônibus e a gente forma uma só família. Graças a Deus, nossos passeios nunca tiveram nenhum atrito. Hoje, eu já trabalho mais com o setor comercial, fazendo as viagens com intenção de ganhar algum dinheiro. Há 15 anos não era feito com essa mesma intenção, porque eu trabalhava em conjunto com outras pessoas. O dinheiro era exclusivamente do passeio, para pagar todas as despesas e brindes, mais visto como um passeio em família e não como um trabalho. Hoje, eu já tenho como um trabalho. Além de gostar muito, pois exige meses de dedicação para organizar as viagens, faço com muito amor e as pessoas me ajudam muito na questão do ônibus e no decorrer da viagem com algumas brincadeiras, orações e jornais. Tudo para fluir o bom convívio e a aproximação.
Por que viagens só pelo Nordeste?
Eu procuro mais o Nordeste por conta das praias. O Ceará, o interior de Pernambuco, o interior de Alagoas e o interior de Sergipe, pois são os lugares mais atrativos com os passeios ecológicos. Organizo viagens na Semana Santa, que são em março ou abril, e nas férias do mês de julho. Na Semana Santa, faço viagens para Nova Jerusalém para assistir ao espetáculo da Paixão de Cristo desde 1991. O objetivo inicial da excursão era o de assistir ao espetáculo. Nós vamos mais para o Nordeste porque no período de julho é a região mais procurada por conta da variedade de praias.
Qual a sua opinião sobre a visão que o pessoal do Norte tem do Nordeste?
As pessoas aqui do Norte vão mais pra o Nordeste porque muita gente tem laços familiares com várias pessoas do Nordeste. Tem bastante descendências. As cidades que as pessoas mais gostam de ir são Fortaleza, Natal, João Pessoa e as do interior de Pernambuco.
Quais lugares do Nordeste se destacam nos passeios ecológicos?
Têm muitos em Alagoas e Sergipe. Em Alagoas, têm Delmiro Gouveia e Piranhas. Em Sergipe, tem o passeio no Cânion do Xingó. No sul do Maranhão, têm as cachoeiras em Carolina, chama-se Chapada das mesas. Na Bahia, tem a Chapada Diamantina. São os locais mais indicados para o passeio ecológico.
Como surgiu o interesse e a facilidade com a parte geográfica dos estados do Nordeste?
Antes da excursão, eu sempre gostei muito de estudar geografia, dedicava-me muito na parte geográfica do País para que eu pudesse conhecer melhor. Eu comecei a viajar pelo Brasil todo desde 1968. Passei a conhecer vários locais e conheci todas as capitais brasileiras. Com esse meu grande conhecimento da situação geográfica, eu tenho a possibilidade de passar informações para amigos que querem viajar e para pessoas que querem formar pacote de passeios. Determino roteiro, horário de saída e chegada, quantos dias vai passar em uma cidade e a distância de uma cidade para outra.
O que faz você permanecer?
Eu realmente gosto de programar os passeios e levar as pessoas para conhecerem outros locais. Para mim, o mais importante não é o dinheiro, é a satisfação das pessoas em conhecer novos lugares, os laços que criei na viagem e os grandes amigos que permaneceram.


Poderia me ajudar, já que comecei hoje e me seguir ? Eu farei o mesmo na mesma hora.
Abraços !
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