Apaixonado pelo atletismo, Roberto começou a correr aos 19 anos e, desde então, coleciona centenas de conquistas
Por Heberton César, Nilson Júnior e Thiago Lira
Roberto Neves, 69 anos, é natural de Santa Cruz do Capibaribe, mas desde a infância reside em Caruaru, ambas as cidades do Agreste de Pernambuco. Aposentado, passou 45 anos trabalhando como comerciante ao lado do seu pai. Em entrevista, Roberto fala sobre sua paixão por esportes, em especial pelo atletismo que o ajudou a curar da asma. O maratonista conta ainda que, quando começou a correr, as pessoas o taxavam de “doido”, mas que hoje é reverenciado por suas centenas de conquistas e seu fôlego interminável renovado pela paixão por correr.
Como surgiu o interesse pela corrida?
Comecei a gostar de corrida em 1969 pelo livro de Kenneth Cooper chamado “Aptidão Física”, a partir daí, não parei mais, exceto quando fico doente. Não consigo ficar parado. Já percorri uma distância de 108 mil quilômetros. Até o ano que vem pretendo chegar a marca de 110 mil quilômetros. Pretendo fazer uma corrida festiva para comemorar os 70 anos de idade. Há dois anos, tive Chikungunya e diminui o ritmo. Não parei de correr, pois a corrida diminui a tensão da dor. Esse ano estou voltando ao ritmo habitual, correndo em média, por ano, mais 2 mil km. A maioria acredita. Se não acreditarem, chamo para ir até minha casa para mostrar todas as minhas anotações.
Qual a maior distância que você correu?
A maior distância foi 60 km. Foram 15 voltas, percorrendo daqui até a Avenida Agamenon. A outra foi de Santa Cruz do Capibaribe até Caraúnas na Paraíba. Já fui 13 vezes daqui de Caruaru até Fazenda Nova. Faz 20 anos que faço anotações dos percursos. Corro em média 2 mil km todo ano. Fazia as marcações de tempo no pedômetro, hoje faço as marcações no relógio. Também media as marcações pelo velocímetro da moto e carro.

Como foi sua trajetória quando começou a correr?
No começo, não corria na rua. Corria na quadra de esportes de clubes. Dez anos depois, passei a correr na rua e as pessoas me ignoravam, chamavam-me de doido e de marginal. Na época em que comecei, não era muito habitual correr. Achar 50 pessoas que praticavam esse esporte era difícil. Hoje, é uma prática mais comum e sempre encontro, pelo menos, 300 pessoas que fazem corrida.

Ao correr, percebeu as mudanças que a cidade passou ao longo dos anos?
Mudou, em virtude que antigamente não existia muito calçamento. Agora, em boa parte das ruas onde corro existem calçamentos, isso facilita muito. Não gosto de repetir percursos, por exemplo, hoje fiz um percurso que foi pelo Bairro Petrópolis até o Alto da Banana. Cada dia da semana vou para um lugar diferente
Quais foram suas conquistas?
Foram mais de 200 conquistas, somente se formos contar as que ganhei em primeiro lugar. Se formos somar segundo e terceiro lugares, dá mais de 300 conquistas. Isso tudo na faixa de 50 e 60 anos. Minha primeira conquista ocorreu em 1974 em Santa Cruz do Capibaribe num percurso de três quilômetros disputando com jogadores de futebol profissional. Minha última vitória foi em Recife há dois anos atrás, num quartel, disputando com pessoas de 18 a 45 anos. Não foi uma conquista fácil, pois disputava com pessoas que treinavam todos os dias.
Quais foram as conquistas que mais te impactaram?
As que mais me impactaram foram os jogos comerciais de Caruaru no atletismo. A de Fazenda Nova foi a que mais me impactou, pela distância, a escassez de água e o tempo quente, já que só podia parar para beber água duas vezes. O percurso foi de 48 Km, da minha casa até a cidade teatro de Nova Jerusalém. Ganhei sete vezes essa corrida de 1992 a 2005.

Quais os lugares em que correu fora Caruaru?
Corri em lugares como João Pessoa, Maceió, Juazeiro da Bahia, Campina Grande e São Paulo. Sem contar as cidades do interior de Pernambuco como Sertânia, Carpina, Bezerros, São Caetano, Agrestina, entre outros. Não cheguei a correr em outros países.
E na corrida da São Silvestre em São Paulo como foi?
Corri uma vez e não corro mais. O desgaste foi grande, a começar pela viagem. Tenho medo de avião e viajei de ônibus até São Paulo, sendo que dentro do ônibus ficava a maior parte do tempo em pé, fato que me favoreceu bastante, já que a maioria das pessoas que iam sentadas, ficaram com os pés inchados. Na concentração, como a corrida era à tarde, cheguei antes, às 14h, para largar às 17h. Quando chega na preparação, você não pode se deslocar para outro lugar. Não podia sentar-se, tinha que ficar em pé e só dão água durante o percurso da corrida. Além disso, o custo da hospedagem, inscrição cara e o tempo para chegar à cidade. Fora isso, gostei da corrida.
Quais são os outros esportes que pratica?
Pratiquei judô e fui faixa roxa na categoria. Joguei tênis de mesa. Quando tinha os jogos comerciais disputava natação, ciclismo, xadrez e voleibol. Sendo que fui primeiro lugar no atletismo e tênis de mesa. Fui campeão dos jogos comerciais durantes três anos. Disputava qualquer esporte, mesmo sem saber.
Teve algum momento que teve que parar de correr?
Minha maior parada foi durante 90 dias por causa do esporão, doença que causa dores no calcanhar do pé. Em um outro momento, quando fiz uma cirurgia e tive que parar por 60 dias, com menos de 50 dias já estava fazendo percursos até Fazenda Nova. Fora isso, o máximo que parava era durante uma semana. Quando tive a Chikungunya, por exemplo, parei de correr por apenas uma semana. Parava apenas por doença. Comigo, não tem essa de parar de correr em Natal, Ano Novo e outras festas.
Quais são os motivos para correr?
Os motivos para correr são vários, a começar pela saúde, a liberdade que sente, as amizades. Por isso que brinco que sou o corredor mais desconhecido de Caruaru (risos). Antes de correr eu era tímido e ansioso. Além disso, a corrida me ajudou a curar da asma. Quando jogava tênis de mesa, levava vantagem, pois tinha fôlego. No judô, enquanto os outros judocas estavam cansados, tinha energia para continuar treinando.
